Consciência Negra: Combater a discriminação deve ser um objetivo constante

Vivemos na época em que o mercado de trabalho brasileiro ainda é marcado pela cor do preconceito. A segregação no ambiente profissional persiste, revelando que estamos longe de ter um país igual. Essa discriminação, velada, apresenta-se em forma de remunerações menores e de cargos sem status de liderança para a população negra.

 

Vitor Costa – Diretor da Força Sindical e militante do movimento negro | Foto: Mário Neto

 

Uma pequena amostra da manutenção dessas barreiras étnicas no ambiente profissional é o baixo índice de negros no comando das grandes companhias do país. O cenário é mais desastroso quando vamos desdenhar a crise do emprego, em pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo), 94,3% dos desempregados no Brasil é declaradamente negro. E o pior não há entendimento por parte do Poder Público Federal, de que o problema da crise
nacional, da crise das superestruturas brasileiras é eminentemente uma crise racial, não somente pelo número de negros existentes nos índices de miserabilidade social.

O cenário é ainda pior para a mulher negra . Os vencimentos dela chegam a representar apenas 50% do que recebe o homem branco. “A discrepância tem se reduzido ao longo dos anos. Em 2003, o salário dessa mulher era apenas
38% do que a renda do homem branco. Mas podemos dizer que os desafios continuam”, explica a diretora de Estudos e Pesquisas do IJSN, Ana Carolina Giuberti.

Os espaços sócias na contemporaneidade são socialmente forjados para aqueles que se consideram brancos, heteronormativos, e “territorialmente bem situados”. Vivemos tencionando a reversão todos os dias, a luta cotidiana é cansativa, mas desgastante mesmo é convencer os nossos iguais de que somos diferentes e precisamos agir diferente. O que falamos aos nossos pode objetificar uma ação de alijamento, e o nosso papel enquanto movimento social, sindicalista é promover, ou tencionar nos diversos ambientes a promoção da igualdade racial.

O combate a todas as formas de discriminação e em especial a racial, não pode e nem deve ser matéria de execução, assim como de publicização somente no mês da Consciência Negra, mas um objetivo constante, cotidiano
e permanente em todas as nossas dimensões de militância.

Vitor Costa
Secretário Nacional de Politicas Raciais da Força Sindical
Secretário de Politicas Raciais da Força Sindical Bahia
Secretario de Politicas Raciais do SINTEPAV-BAHIA

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