Mulheres e negros são maior parte da força de trabalho subutilizada no País

26 de fevereiro de 2018
Fonte: DCI

 

No Brasil, falta emprego para 26,4 milhões de pessoas, sendo que 54% são do sexo feminino, ao passo que os negros correspondem a 66% dessa população; grupos voltarão via informalidade

 

As mulheres e os negros correspondem a maior parte da força de trabalho subutilizada no Brasil, ou seja, pessoas que estão desempregadas, subocupadas por insuficiência de horas ou que são uma mão de obra em potencial.

A tendência é que, com a retomada do mercado de trabalho, esses grupos continuem sendo absorvidos, em sua maioria, pelas ocupações mais precárias e informais, avaliam especialistas.

Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informou que, no quarto trimestre de 2017, faltou emprego para 26,4 milhões de pessoas no Brasil. Ou seja, a taxa de subutilização da força de trabalho alcançou 23,6%, percentual um pouco menor do que o registrado durante o quarto trimestre de 2016 (23,9%). Já a taxa média anual para 2017 foi de 23,8%.

Segundo o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE Cimar Azeredo, dos 26,4 milhões de subutilizados, 54% são do sexo feminino, enquanto os pretos e pardos são 66%.

A taxa de subutilização contempla as pessoas que trabalham menos de 40 horas, mas que gostariam de trabalhar mais; aqueles que não estão nem ocupados e desocupados, mas que têm potencial para virar força de trabalho (os desalentados estão inclusos aqui) e, por fim, os desocupados, que são as pessoas que tomaram alguma providência para encontrar um emprego, mas que não o conseguiram.

Olhando somente para o número de desalentados, por exemplo – que são as pessoas que foram desestimuladas a procurarem uma ocupação – este chegou a 4,352 milhões de pessoas no quarto trimestre, sendo que 55,7% dessas são do sexo feminino, contingente 7% maior do que os homens desalentados (44,3%). Já entre a população preta e parda, esse percentual é maior e chegou a alcançar 72,3% durante o quarto trimestre de 2017.

Por sua vez, a taxa de desocupação dos que se declararam brancos (9,5%) ficou abaixo da média nacional (11,8%) no quarto trimestre, enquanto a dos pretos (14,5%) e a dos pardos (13,6%) ficou acima. No quarto trimestre de 2012, quando a taxa média foi de 6,9%, a dos pretos correspondia a 8,6%; a dos pardos a 8,1% e a dos brancos era 5,4%.

“As diferenças estruturais da sociedade brasileira se repetem, seja em momentos de crescimento econômico ou de crise”, destaca Azeredo. Ele lembra que a ocupação voltou a aumentar, mas que, os negros estão voltando para o mercado de trabalho mais por meio da informalidade. “Essa parcela dos habitantes costuma ser de extratos sociais mais pobres e, por isso, quando perdem o emprego não possuem uma reserva [financeira] para procurarem por mais tempo uma ocupação. Por isso, elas ficam mais propensas a se submeterem a trabalhos mais precários, os quais pessoas de uma classe maior não se submeteriam”, considera Azeredo.
Gênero
 

Já a economista Marilane Oliveira Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, destaca que, nos períodos de saída de recessão e de retomada do mercado de trabalho, os homens conseguem voltar para o emprego com carteira assinada mais rápido do que as mulheres. Segundo ela, ainda existe um estereótipo de gênero de que o homem é o principal membro da família responsável por prover a casa, ainda que as pessoas do sexo feminino sejam, hoje, a maior parte das chefes de família no Brasil.

“Existe ainda a ideia de que é papel da mulher cumprir com as tarefas domésticas, cuidar dos filhos, dos idosos da casa, o que, de fato, acaba acontecendo”, afirma Marilane, destacando que, além do problema da divisão desigual do trabalho doméstico entre os gêneros, a falta de políticas públicas básicas, como a insuficiência de creches, dificulta a inserção da mulher em uma ocupação qualificada. A informalidade, portanto, acaba despontando como uma “alternativa” das mulheres conseguirem, ao mesmo tempo, obter uma renda e dar conta das tarefas domésticas.

Dados do IBGE mostram que, durante o quarto trimestre de 2017, o nível da ocupação dos homens, no Brasil, foi estimado em 64,5% e o das mulheres, em 45,4%.
Desemprego

A taxa de desocupação de 11,8% registrada no quarto trimestre de 2017 apresentou redução de 0,6 ponto percentual na comparação com o terceiro trimestre (12,4%) e ficou estável frente a igual período de 2016 (12,0%). Ainda na comparação com o terceiro trimestre, houve retração desse indicador em quase todas as regiões: Norte (de 12,2% para 11,3%), Nordeste (de 14,8% para 13,8%) e Sudeste (de 13,2% para 12,6%). Nos últimos três meses de 2017, os estados que tiveram as maiores taxas de desocupação foram Amapá (18,8%), Pernambuco (16,8%), Alagoas (15,5%), Rio de Janeiro (15,1%) e Bahia (15,0%).

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