Leo Prates alerta sobre possibilidade de colapso no sistema de saúde: ‘Pior momento na pandemia’

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16 de fevereiro de 2021
Fonte: Fernando Valverde / A Tarde

Secretário alertou para os altos índices de ocupação nas UTI’s da cidade e cobrou disponibilização maior de doses por parte do governo federalRaul Spinassé / AG. A Tarde

Por Fernando Valverde

A pressão sobre o sistema de saúde de Salvador, com cerca de 71% dos leitos de UTI atualmente ocupados, tem preocupado os órgão de saúde do município e do estado. Em entrevista para o programa Isso é Bahia da rádio A TARDE FM (103.9), o secretário municipal de Saúde, Leo Prates, afirmou que este é o pior momento do sistema desde o início do combate à pandemia em março do ano passado.

De acordo com Leo, a pressão pela ocupação dos leitos de UTI por outras doenças, além do coronavirus, tem aumentado exponencialmente a ocupação e medidas mais duras podem ser necessárias para que o sistema não entre em colapso.

“Posso dizer sem nenhum exagero que estamos no pior momento do sistema de saúde na pandemia. Estamos tendo uma pressão grande por conta de outras doenças, principalmente AVC e infarto, além da pressão por leitos de coronavírus. No auge da pandemia, eu regulava as vagas nas UPA’s municipais cerca de 70 pessoas junto à Sesab (Secretaria de Saúde do Estado da Bahia). No sábado nós regulamos 54 pessoas e ontem esse número foi de 48. Então vivemos sob pressão completa e ou nós revertemos a curva de crescimento nessa semana ou medidas mais duras serão necessárias para que o sistema de saúde não entre em colapso”, afirmou.

“Estamos discutindo ao longo da semana quais seriam essas medidas e acho que estamos caminhando a passo largo na direção delas. Temos de 7 a 9 unidades em todo o estado, inclusive em Salvador, que estão com 100% da ocupação. Então precisamos rapidamente reverter essa tendência de crescimento da pressão sobre o sistema de saúde”, disse.

Imunização

Nesta terça-feira, 16, a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador irá ampliar a vacinação contra o coronavírus para idosos com idade igual ou superior a 83 anos além de iniciar a aplicação da segunda dose da primeira faixa do público prioritário, profissionais de saúde e idosos abrigados em instituições de longa permanência. Apesar da ampliação, a expectativa da Prefeitura em relação ao número de imunizados é baixa e a vacinação deverá ser suspensa em breve enquanto o estado aguarda o recebimento de um novo lote de doses do governo federal.

“O prefeito Bruno Reis conseguiu negociar algumas doses mas essa compra não foi aprovada pelo Ministério. Estamos passando muita dificuldade com o plano de imunização e só estamos conseguindo vacinar os idosos de 83 ou mais anos graças a uma reserva técnica que o governador e o secretário estadual de saúde, Fábio Villas-Boas, disponibilizaram mais 8 mil doses para a cidade. Devemos acabar essas doses no dia de hoje e devemos suspender a vacinação”, avaliou.

Prates alertou ainda para a mudança de comportamento da população, que, de acordo com ele, relaxou nos cuidados após o início da imunização ancorada em uma falsa sensação de segurança que desconsidera elementos como o índice geral da população imunizada e o número de doses disponíveis para a operação.

“A pandemia não acabou. Muita gente tá achando que por ter começado a vacinação, que é hora de relaxar e eu quero dizer a todos que após a segunda dose uma pessoa só estará imunizada 70 dias depois e para ter uma imunidade da sociedade, nós precisamos atingir 70% da população vacinada, o que é algo que estamos muito longe de alcançar”, afirmou Prates que estimou ainda o tempo que deverá levar para que seja atingido esse índice.

“O secretário Fábio falou algo em torno de 18 meses e é uma estimativa válida caso seja mantido esse ritmo pelo governo federal. Estamos com toda a estrutura para vacinação. Tudo que dependia da Prefeitura e do Governo da Bahia estão prontos. Agora, a parte do governo federal que são justamente as doses, não foi bem planejada. Estamos no aguardo”.

 

 

 

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