Crescem os números da violência contra crianças e adolescentes

Nota pública das Centrais Sindicais
Força Sindical BA e demais Centrais realizam 1º de Maio com Atos e Ação Solidária

Tribuna da Bahia, Salvador
09/06/2021 18:41

No mês de alerta para o Dia Internacional das Crianças Vítimas de Agressão, especialista em psicoterapia chama a atenção para sinais e mudanças de comportamento; saiba como identificar e combater os abusos.

Instituído pela ONU, o Dia Mundial das Crianças Vítimas de Agressão – 4 de junho – é também um alerta para o combate a todas as formas de violência contra crianças e adolescentes, e um chamado para a proteção dos seus direitos inalienáveis. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), de 2010 a 2020, mais de 103 mil crianças morreram vítimas de agressão no país e, todos os dias, são registrados, em média, 243 diferentes tipos de violência a jovens – uma realidade que vem se intensificando, apontam especialistas, principalmente com a necessidade de isolamento imposta pela crise sanitária.

Regionalmente, a Bahia foi o 4° estado com mais casos de violência e exploração sexual contra crianças e adolescentes, no último ano, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. E, mesmo com as subnotificações, os registros de 2021 cresceram, no comparativo com 2020. Mas de que forma combater as estatísticas e como identificar os abusos?

Psicóloga, pedagoga e psicopedagoga, com Mestrado Interdisciplinar, a professora Leonor Guimarães, da UNIFACS, explica que mudanças bruscas no comportamento, perturbações no sono, irritabilidade, agitação ou o contrário, apatia, podem ser sinais e devem ser observados. “Qualquer coisa que mude radicalmente o comportamento é importante observar. Então se é uma criança mais tranquila, e fica agitada ou agressiva, ou uma criança que começa a ficar mais calada, são situações às quais devemos nos manter atentos. Mudanças também podem envolver diminuição da alimentação, perda do sono, xixi na cama”, adverte Leonor Guimarães, que ressalta a importância das redes de apoio e proteção para o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes.

“Agora, na pandemia, como as crianças estão isoladas em casa, aumenta o número de violência. Elas não estão indo à escola, que é um caminho para a denúncia”, acrescenta a psicóloga. É preciso lembrar, entretanto, – aponta a psicopedagoga – que a violência nem sempre é física. “A maioria das violências são psicológicas e, infelizmente, passam despercebidas”.

Espaço seguro para falar

Fortalecer a relação através do diálogo, estabelecer uma rotina com tempo para brincar, manter um clima acolhedor em casa e acompanhar o dia a dia da criança, nos ambientes de interação, de aprendizagem e também na internet são pontos que, segundo especialistas, podem contribuir para que o jovem se sinta seguro inclusive na hora de falar e pedir ajuda.

“A criança tem uma linguagem muito própria, que é a da brincadeira, do lúdico. Então a aproximação tem que ser leve também para que a criança confie e fale sobre. Observar as brincadeiras, desenhar, conversar com a criança, criar confiança são passos importantes (…). Você não vai necessariamente ser o melhor amigo do seu filho, mas você pode fazer com que ele se sinta seguro em falar sobre, em conversar.”, salienta Leonor Guimarães.

As denúncias, em caso de suspeita de maus-tratos e violência ou abuso, podem ser realizadas junto ao Conselho Tutelar, às polícias civil e militar, ao Ministério Público e pelo canal Disque 100.

Educação

O enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes – destaca a psicóloga – requer, além do fortalecimento das redes de proteção e ampliação dos serviços de apoio em saúde e bem-estar social, um trabalho permanente em educação e conscientização.

“É necessário educar as famílias e os cuidadores, porque a gente tem um histórico de castigo, de palmadas (…). A gente tem uma cultura em que parece que a violência com a criança é legitimada, e a melhor forma de combater isso é a educação. O primeiro passo é comunicar a sociedade, em termos do que é a violência e como ela se caracteriza. O segundo momento é preparar escolas, projetos que recebem crianças, para um canal aberto e para que se possa denunciar”, afirma Leonor Guimarães, que complementa, “O estatuto da criança e do adolescente está aí. É importante que a gente conheça. É necessário atualizar, porque ele já tem mais de 20 anos, mas, enquanto cidadãos, precisamos lutar por leis que protejam mais as nossas crianças”.

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