
Com o lema “Jornada Menor para uma Vida Melhor”, a Campanha Salarial 2026 do Sintepav-BA registrou uma das maiores mobilizações dos últimos anos. Diante da proposta do Sinicon — limitada à reposição parcelada da inflação e sem avanços nos principais itens econômicos e sociais —, mais de 25 mil trabalhadores cruzaram os braços em defesa da valorização salarial e manutenção de direitos históricos.
A paralisação, ocorrida entre os dias 1º e 3 de junho, atingiu grandes empreendimentos públicos e privados em todo o estado, incluindo o VLT de Salvador, a duplicação da BA-001, em Ilhéus, a construção da ponte sobre o Rio Jequitinhonha, a duplicação da BR-116 e parques de energias renováveis. Juntas, as obras somam investimentos estimados em mais de R$ 40 bilhões.
A diretoria do sindicato esgotou as tratativas diretas e buscou diferentes frentes de resolução para o conflito, incluindo uma reunião com o senador Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) do Senado, na tentativa de obter apoio institucional e intermediar o diálogo com o setor patronal. A pressão grevista, entretanto, foi o fator decisivo que forçou o Sinicon a retornar à mesa de negociação.
A greve foi encerrada em assembleia no Campo da Pólvora, na capital baiana, com aprovação do acordo e marcha dos trabalhadores até a Praça da Piedade. O resultado: uma das mais significativas convenções coletivas da construção pesada no Brasil.
O que a categoria conquistou em 2026
- Reajuste salarial de 5%;
- Cesta básica de R$ 560;
- Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- Reajuste do ticket alimentação;
- Manutenção do contrato de experiência em 30 dias;
- Participação sindical nas eleições da CIPA;
- Manutenção do aviso prévio indenizado para cargos administrativos;
- Abertura da negociação da tabela salarial em até 60 dias;
- Manutenção de todas as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho
O presidente do Sintepav, Irailson Gazo, destacou que o resultado demonstra a maturidade da categoria. “A greve cumpriu seu papel ao fortalecer a posição dos trabalhadores na mesa de negociação e mostrou que a união da categoria segue como principal instrumento para impedir retrocessos.”

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