Se negociar com o patrão fosse suficiente, não existiriam leis trabalhistas

Tem gente que tenta vender a ideia de que trabalhador e patrão estão em condições iguais para negociar. Mas quem vive do próprio salário sabe que não é assim.

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Tem gente que tenta vender a ideia de que trabalhador e patrão estão em condições iguais para negociar. Mas quem vive do próprio salário sabe que não é assim.

De um lado está quem precisa do emprego para colocar comida na mesa. Do outro, quem pode contratar, demitir, definir condições de trabalho e controlar o salário.

É justamente por essa desigualdade que existem as leis trabalhistas, os sindicatos e os instrumentos de negociação coletiva.

Direitos como férias, 13º salário, FGTS, limite de jornada, descanso semanal remunerado e adicionais não apareceram porque os patrões decidiram espontaneamente concedê-los. Foram conquistados com organização, mobilização, greves e muita luta da classe trabalhadora.

Quando dizem que o trabalhador pode simplesmente “negociar diretamente com o patrão”, precisamos perguntar: negociar em quais condições?

Um trabalhador sozinho, com medo de perder o emprego, dificilmente terá o mesmo poder de negociação de uma empresa. E quando a necessidade de trabalhar fala mais alto, aquilo que deveria ser uma escolha pode se transformar em imposição.

É aí que mora o perigo.

A individualização das relações de trabalho pode enfraquecer a capacidade de organização da categoria e abrir espaço para a redução de direitos, jornadas mais extensas, salários menores e condições de trabalho mais precárias.

O que parece liberdade pode, na prática, significar menos proteção.

Para nós, do Sintepav Bahia, trabalhador não precisa de menos direitos. Precisa de mais organização, mais fiscalização, mais respeito e mais força para negociar coletivamente.

A negociação coletiva existe justamente para equilibrar essa relação. Quando milhares de trabalhadores se organizam, a empresa não negocia com um indivíduo isolado: negocia com uma categoria inteira, representada pelo seu sindicato.

Foi assim que muitos dos direitos que hoje parecem básicos foram conquistados. E é assim que precisamos continuar defendendo cada avanço.

Porque abrir mão de direitos conquistados em nome de uma suposta “liberdade para negociar” não é modernização.

É retrocesso.

E trabalhador organizado não aceita retrocesso.

Direito não é favor. Salário não é presente. Segurança não é benefício.

Tudo isso é resultado de luta. E luta se faz com organização coletiva.

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